Procedimentos
Ultrassom microfocado facial: mecanismo e indicações

O ultrassom microfocado facial representa, hoje, uma das abordagens não invasivas mais estudadas para o tratamento da flacidez cutânea e da perda de definição do contorno facial. Diferentemente dos procedimentos injetáveis, que atuam por meio da adição ou modulação de volume, essa tecnologia trabalha por estímulo térmico em camadas específicas do tecido, sem necessidade de agulhas ou incisões.
Como o ultrassom microfocado age na pele
A sigla HIFU, do inglês *High-Intensity Focused Ultrasound*, descreve o princípio físico central da tecnologia: feixes de energia ultrassônica são convergidos em pontos-alvo localizados em profundidades precisas, gerando calor focal sem lesionar as camadas superficiais da pele.
Essa concentração de energia provoca microlesões térmicas controladas nas camadas mais profundas, incluindo a fáscia superficial muscular, conhecida clinicamente como SMAS. A resposta biológica a essas microlesões é a produção de novo colágeno e elastina, proteínas estruturais que conferem sustentação e firmeza ao tecido.
O processo é gradual. Os efeitos costumam ser percebidos ao longo das semanas subsequentes ao procedimento, à medida que a neocolagênese se consolida. A ausência de período de recuperação relevante é uma das características que distingue esse tipo de abordagem dentro dos protocolos de harmonização.
Para qual perfil de paciente o procedimento é indicado
A indicação do ultrassom microfocado facial não é universal. A avaliação clínica individualizada e presencial é o único caminho para determinar se a tecnologia é adequada para um determinado paciente.
De modo geral, a literatura aponta maior aplicabilidade em casos de flacidez leve a moderada, perda inicial de definição do contorno mandibular, ptose discreta de estruturas da região malar e cervical, e pacientes que buscam uma abordagem sem tempo de inatividade.
Pacientes com grau avançado de flacidez, excesso de pele ou assimetrias estruturais significativas podem demandar avaliação para abordagens distintas, cirúrgicas ou combinadas, cujas indicações dependem inteiramente da análise do profissional habilitado. É importante compreender que diferentes abordagens existem para objetivos e perfis clínicos diferentes, e não há hierarquia entre elas: há indicação adequada para cada situação.
Situações que contraindicam o procedimento
Existem condições que podem contraindicar o uso do ultrassom microfocado. Entre elas, a literatura aponta implantes metálicos na área tratada, processos inflamatórios ou infecciosos ativos, algumas condições dermatológicas específicas e determinadas doenças sistêmicas. Por isso, a anamnese detalhada conduzida pelo profissional antes de qualquer indicação é inegociável.
Integração com protocolos de harmonização orofacial
Na prática clínica contemporânea, o ultrassom microfocado raramente é considerado de forma isolada. Sua maior relevância costuma estar na combinação com procedimentos injetáveis, dentro de um protocolo de harmonização orofacial estruturado.
A lógica da combinação é fundamentada em camadas de ação: enquanto o ultrassom microfocado atua na estimulação das estruturas profundas de suporte, a toxina botulínica pode modular a dinâmica muscular e bioestimuladores de colágeno podem complementar a qualidade cutânea em planos mais superficiais. Preenchimentos, por sua vez, podem ser indicados para restaurar volumes perdidos em regiões específicas.
Essa abordagem em camadas, quando bem conduzida, tende a oferecer resultados mais integrados à morfologia do paciente, respeitando a naturalidade das estruturas. Porém, a pertinência de cada combinação, sua sequência e seus intervalos dependem exclusivamente da avaliação clínica individual.
O papel do cirurgião-dentista nesse contexto
A Harmonização Orofacial é reconhecida como especialidade odontológica, conforme as Resoluções CFO-198/2019 e CFO-230/2020, que fundamentam a atuação do cirurgião-dentista habilitado com toxina botulínica, preenchimentos, bioestimuladores e fios de PDO na região orofacial.
A incorporação de tecnologias como o ultrassom microfocado em protocolos de harmonização orofacial insere-se nesse contexto, desde que o equipamento possua registro sanitário ativo junto à ANVISA e que o profissional tenha formação técnica adequada para seu uso. A regulamentação vigente do Conselho Federal de Odontologia orienta que toda tecnologia utilizada deve estar devidamente regularizada e que a indicação deve ser tecnicamente justificada na avaliação individual do paciente.
A formação continuada do profissional é, portanto, parte fundamental da segurança do procedimento: conhecer os parâmetros do equipamento, as profundidades de atuação, os limites anatômicos da região tratada e as contraindicações clínicas é o que diferencia a indicação criteriosa do uso indiscriminado da tecnologia.
Cuidados após o procedimento
O pós-procedimento do ultrassom microfocado costuma ser discreto. É comum que o paciente experiencie sensibilidade local, eritema transitório ou leve edema nas horas seguintes. Essas manifestações tendem a se resolver sem intervenção.
O profissional responsável deve orientar cada paciente individualmente sobre os cuidados adequados para o seu caso, incluindo proteção solar, hidratação e eventuais restrições temporárias de atividades ou produtos. Não há protocolo pós-procedimento único: as orientações variam conforme a região tratada, os parâmetros utilizados e as características de cada paciente.
Perguntas frequentes
O ultrassom microfocado facial dói?
A percepção de desconforto varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como a região tratada, os parâmetros de energia utilizados e a sensibilidade individual. Durante o procedimento, é possível sentir sensações de calor ou formigamento pontuais. O profissional habilitado ajusta os parâmetros conforme a tolerância do paciente e adota medidas de conforto quando necessário.
Quantas sessões são necessárias?
Não existe um número fixo de sessões aplicável a todos os pacientes. A frequência e a quantidade de aplicações dependem da avaliação clínica individual, do grau de flacidez presente, das áreas a serem tratadas e da resposta biológica observada. Essa definição é feita pelo profissional após avaliação presencial detalhada.
O ultrassom microfocado pode ser feito em conjunto com outros procedimentos de harmonização?
Sim, em muitos casos a combinação com outros procedimentos de harmonização orofacial faz parte do protocolo clínico. A pertinência dessa combinação, sua sequência e os intervalos entre as intervenções são definidos exclusivamente pelo profissional habilitado, com base nas características anatômicas, objetivos e histórico clínico de cada paciente.
Se você deseja compreender se o ultrassom microfocado facial pode integrar o seu protocolo de harmonização, o ponto de partida é sempre uma avaliação presencial e individualizada. Na ArtFace, em Balneário Camboriú, cada análise é conduzida com rigor técnico e atenção às particularidades de cada rosto. agende sua avaliação
Artigo assinado por
Dr. Rafael Lucci
Cirurgião-Dentista, Especialista em Harmonização Orofacial

