Procedimentos
Bichectomia na harmonização orofacial: o que saber

A bichectomia na harmonização orofacial é um procedimento cirúrgico realizado pelo cirurgião-dentista habilitado que consiste na remoção parcial das bolas de Bichat, estruturas adiposas localizadas na região média da face. Por ser irreversível, sua indicação exige avaliação clínica rigorosa e uma decisão consciente por parte do paciente.
O que são as bolas de Bichat e qual é sua função
As bolas de Bichat são corpos adiposos encapsulados, posicionados bilateralmente na região das bochechas, entre os músculos mastigatórios e os planos superficiais da face. Elas não têm função mastigatória direta, mas integram o volume e o contorno da face, contribuindo para a transição entre a região malar e a mandibular.
Sua presença é variável entre os indivíduos: algumas pessoas apresentam um volume naturalmente maior, o que pode conferir aparência de face mais arredondada ou jovial. Outras apresentam volume reduzido, com contorno facial mais definido de forma espontânea. Essa variação anatômica individual é um dos primeiros elementos avaliados pelo cirurgião-dentista antes de qualquer discussão sobre indicação do procedimento.
Como o cirurgião-dentista avalia a indicação da bichectomia
Morfologia facial e proporções
A avaliação começa pelo estudo das proporções faciais em repouso e em movimento. O profissional observa a relação entre as três regiões horizontais da face, a projeção malar, a largura bizigomática e a linha mandibular. A redução do volume das bochechas somente é tecnicamente pertinente quando há excesso localizado que compromete as proporções individuais do paciente, e não como padronização estética.
Faces com projeção malar reduzida, por exemplo, podem ter o contorno médio prejudicado após a remoção das bolas de Bichat, resultando em aparência esquelética indesejada. Por isso, a avaliação do volume ósseo subjacente e do tecido mole sobrejacente é parte indispensável da consulta.
Projeção do envelhecimento facial
Um aspecto frequentemente subestimado na busca por informação sobre bichectomia é o comportamento do tecido adiposo facial ao longo do tempo. Com o envelhecimento natural, há perda progressiva de volume em toda a face, incluindo a região das bochechas. A remoção das bolas de Bichat em pacientes jovens pode resultar, décadas após o procedimento, em aparência de deflação ou envelhecimento acentuado nessa região.
O cirurgião-dentista considera essa projeção longitudinal como parte da avaliação, discutindo com o paciente não apenas o aspecto imediato, mas o comportamento esperado da face ao longo dos anos. Essa análise é especialmente relevante porque a bichectomia é permanente: o tecido removido não é reconstituído.
Espessura cutânea e qualidade do tecido
A resposta da pele à mudança de volume interno também é avaliada. Peles com menor capacidade de acomodação podem não retrair de forma uniforme após a remoção das bolas de Bichat, o que reforça a necessidade de análise individualizada antes da decisão.
Bichectomia e outros procedimentos de contorno facial: abordagens distintas
O contorno facial pode ser modulado por diferentes abordagens, cirúrgicas e não cirúrgicas, cada uma com objetivos, mecanismos e indicações próprios.
A toxina botulínica aplicada no músculo masseter, por exemplo, pode reduzir o volume da região mandibular em pacientes com hipertrofia desse músculo, conferindo aspecto mais alongado ao terço inferior. Os preenchimentos com ácido hialurônico permitem adicionar ou redistribuir volume em regiões específicas, como o malar ou o mento. Os bioestimuladores de colágeno atuam sobre a qualidade e a firmeza do tecido ao longo do tempo.
Todas essas abordagens não cirúrgicas têm em comum o caráter reversível ou temporário: os efeitos se dissipam com o tempo e permitem ajustes conforme a resposta individual. A bichectomia, por sua natureza cirúrgica e permanente, ocupa um lugar distinto nesse conjunto. Não se trata de uma abordagem superior ou inferior às demais, mas de uma intervenção com mecanismo, indicação e irreversibilidade próprios, cuja escolha depende sempre de avaliação presencial individualizada.
A decisão entre uma abordagem cirúrgica e técnicas não cirúrgicas não segue uma hierarquia fixa: segue a indicação clínica de cada caso.
O caráter cirúrgico da bichectomia e o que o paciente precisa compreender
A bichectomia é realizada sob anestesia local, com acesso intraoral, ou seja, sem incisões externas visíveis. O procedimento é realizado em ambiente clínico adequado, pelo cirurgião-dentista habilitado, nos termos da regulamentação vigente do Conselho Federal de Odontologia.
Por ser cirúrgica, envolve um período de pós-operatório com edema, restrições alimentares e cuidados específicos com higiene oral. O tempo de recuperação e a extensão do edema variam conforme o paciente e devem ser discutidos em consulta.
Mais do que o pós-operatório imediato, o paciente deve compreender que os efeitos da bichectomia são permanentes. Diferente de procedimentos que se dissipam naturalmente, a remoção das bolas de Bichat não é revertida. Essa característica torna a avaliação prévia e o alinhamento de expectativas ainda mais relevantes do que em procedimentos temporários.
Perguntas frequentes
A bichectomia engorda com o tempo?
Não. As bolas de Bichat são estruturas adiposas encapsuladas que, uma vez removidas, não se reconstituem. O que pode ocorrer é o ganho de volume em outras regiões faciais por aumento de peso corporal geral, mas o local específico da remoção não regenera o tecido extraído.
Qualquer pessoa pode fazer bichectomia?
Não. A indicação depende de avaliação clínica individualizada que considera morfologia facial, proporções, volume ósseo subjacente e projeção do envelhecimento. Pacientes com volume de bochechas dentro de parâmetros adequados para o conjunto facial podem não se beneficiar do procedimento e merecem orientação honesta nesse sentido.
Quem realiza a bichectomia: médico ou dentista?
O cirurgião-dentista é profissional habilitado para realizar a bichectomia, procedimento que está no escopo da Harmonização Orofacial reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia. A habilitação específica do profissional deve ser verificada pelo paciente antes da consulta.
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Compreender o que envolve a bichectomia, sua irreversibilidade e os critérios que orientam sua indicação é o primeiro passo para uma decisão segura. Na ArtFace, em Balneário Camboriú, o Dr. Rafael Lucci realiza avaliações presenciais individualizadas para discutir com cada paciente se e como esse ou outros procedimentos se alinham ao seu contexto facial e aos seus objetivos. Agende sua avaliação.
Artigo assinado por
Dr. Rafael Lucci
Cirurgião-Dentista, Especialista em Harmonização Orofacial

