Procedimentos
Dissolução de Preenchimento: como funciona

A dissolução de preenchimento é um procedimento clínico em que a enzima hialuronidase é aplicada na região onde há ácido hialurônico depositado, promovendo a quebra das moléculas do material e sua reabsorção pelo organismo.
Essa possibilidade existe porque o ácido hialurônico é um polissacarídeo biodegradável, naturalmente presente nos tecidos humanos, e a enzima que o decompõe é compatível com a fisiologia da pele. É essa característica, a reversibilidade, que diferencia os preenchedores à base de ácido hialurônico de materiais permanentes ou semipermanentes. Quando o preenchimento com ácido hialurônico é planejado com essa margem de segurança em mente, a possibilidade de reversão faz parte do protocolo, não é um recurso de emergência.
Quando a dissolução de preenchimento é indicada?
A decisão de dissolver um preenchimento parte sempre de uma avaliação clínica presencial, conduzida por um cirurgião-dentista habilitado em Harmonização Orofacial. Não existe indicação universal: o que determina a pertinência do procedimento é a combinação entre a queixa do paciente e os achados clínicos objetivos.
As situações que costumam motivar a reversão incluem:
- Volume excessivo em relação à estrutura óssea e aos tecidos adjacentes, gerando desproporcionalidade.
- Migração do material para região diferente do plano original de aplicação, alterando o contorno de forma não planejada.
- Acúmulo progressivo de produto de aplicações anteriores, sem metabolização completa entre as sessões.
- Resultado que perdeu coerência com o projeto estético atual do paciente.
- Complicação vascular, situação em que a dissolução pode ser necessária com urgência para restabelecer a perfusão tecidual.
Essas situações não têm o mesmo grau de urgência entre si. Uma complicação vascular exige ação imediata, enquanto a revisão estética de um volume excessivo pode ser planejada com mais calma. O profissional habilitado diferencia essas indicações e conduz cada caso no ritmo adequado.
Como funciona o procedimento de dissolução?
A hialuronidase é uma enzima que catalisa a hidrólise do ácido hialurônico, fragmentando as longas cadeias do polímero em unidades menores que o organismo reabsorve de forma natural. O processo ocorre em etapas:
- Avaliação clínica para mapear a distribuição do material e identificar os planos de profundidade envolvidos.
- Definição da quantidade e dos pontos de aplicação da enzima, que variam conforme o volume a ser revertido e a região anatômica.
- Aplicação da hialuronidase por meio de agulha ou cânula, nos planos onde o material está depositado.
- Período de observação: a enzima age de forma progressiva, e a reavaliação do resultado costuma ocorrer alguns dias após o procedimento.
O número de sessões necessárias depende do volume acumulado, do tempo de deposição do material e da distribuição anatômica. Algumas situações se resolvem em uma única aplicação; outras requerem mais de uma etapa, com reavaliação entre elas.
Dissolução e repreenchimento: como pensar essa sequência?
Uma dúvida frequente é se é possível refazer o preenchimento logo após a dissolução. A resposta depende de dois fatores: a integridade dos tecidos na região e o intervalo necessário para que a hialuronidase complete sua ação e os tecidos se estabilizem.
A enzima não age apenas sobre o material injetado: ela pode afetar também o ácido hialurônico endógeno dos tecidos, em grau variável conforme a dose e a técnica. Por isso, o intervalo entre a dissolução e uma nova aplicação é definido individualmente pelo profissional, com base no exame clínico.
Quando há interesse em retomar um protocolo de contorno facial após a reversão, o planejamento começa do zero, levando em conta os tecidos no estado atual, sem pressupor que o novo resultado reproduzirá exatamente o que havia antes.
Quem está habilitado para realizar esse procedimento?
A dissolução de preenchimento é realizada por cirurgião-dentista habilitado em Harmonização Orofacial, nos termos da regulamentação do Conselho Federal de Odontologia. O procedimento exige conhecimento detalhado da anatomia facial, dos planos de injeção e das propriedades da hialuronidase, porque a enzyme age em tecidos vivos e o erro de plano ou de dose tem consequências clínicas.
O Dr. Rafael Lucci, à frente da ArtFace em Balneário Camboriú, conduz esse tipo de avaliação com foco no histórico completo do paciente: quais materiais foram usados, em quais regiões, com que intervalo e em qual volume estimado. Esse mapeamento é o que torna possível um plano de reversão tecnicamente seguro.
Não é indicado buscar esse procedimento em contextos não clínicos, com profissionais sem habilitação específica ou sem a infraestrutura necessária para lidar com eventuais reações adversas à enzima.
A reversibilidade como critério de escolha
O movimento atual de pacientes que procuram reverter preenchimentos realizados em outros contextos evidencia algo que orienta a abordagem da ArtFace desde o início: a escolha do material é inseparável da escolha do planejamento. O ácido hialurônico é reversível; essa característica não é um detalhe secundário, é um critério clínico.
Quando o procedimento é planejado com rigor, a dissolução raramente precisa ser usada. Quando é necessária, a disponibilidade de um protocolo seguro de reversão é o que permite corrigir o curso sem consequências mais graves. Isso se aplica tanto à revisão estética quanto ao manejo de complicações.
Para quem considera um preenchimento labial, um tratamento de olheiras ou qualquer outro procedimento com ácido hialurônico, entender a possibilidade de reversão faz parte de uma decisão bem informada.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para a hialuronidase agir após a aplicação?
Os efeitos da enzima costumam ser percebidos nas primeiras 24 a 48 horas após a aplicação, com avaliação clínica realizada alguns dias depois para verificar se o volume foi suficientemente reduzido e se é necessária nova sessão. O processo exato varia conforme o volume e a região tratada.
Qualquer pessoa que tenha feito preenchimento pode dissolver?
Não necessariamente: a dissolução é indicada apenas quando há uma razão clínica objetiva identificada em avaliação presencial. Além disso, é preciso confirmar que o material utilizado é à base de ácido hialurônico, pois a hialuronidase não age sobre outros tipos de preenchedores. A avaliação individual é o único caminho para essa definição.
A dissolução elimina todo o material injetado?
Depende do volume acumulado, do tempo desde a aplicação e da distribuição do material nos tecidos. Em alguns casos, uma única sessão é suficiente; em outros, mais de uma aplicação é necessária, com reavaliação entre elas. O profissional estima o número de etapas após o exame clínico, nunca antes.
A dissolução dói?
O procedimento envolve desconforto similar ao de qualquer aplicação injetável na face, variando conforme a região e o limiar individual do paciente. O uso de anestésico tópico ou local é avaliado pelo profissional conforme o caso. Reações alérgicas à hialuronidase são raras, mas por isso o procedimento deve ocorrer em ambiente clínico habilitado.
Conhecer o histórico de procedimentos realizados, o tipo de material utilizado e o estado atual dos tecidos é o ponto de partida para qualquer plano de reversão. Para discutir sua situação com o Dr. Rafael Lucci, agende sua avaliação.
Artigo assinado por
Cirurgião-Dentista, Especialista em Harmonização Orofacial
CRO-SC 18.965, com a especialidade averbada · CRO-PR 17.398, inscrição principal
Publicado em 19 de outubro de 2026
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